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Para se elaborar um charuto é fundamental ter a melhor matéria prima
disponível. Das diversas variedades de fumo
utilizadas para a confecção de charutos e
cigarrilhas apenas algumas regiões do mundo
apresentam um clima e solo próprio para este tipo
de plantio.
Grandes
marcas
Em
todo o mundo, nenhum charuto é mais vendido que o
Monte Cristo. Seu formato mais conhecido é o Nº
2, de sabor acentuado e próprio para
apreciadores. Surgiu da união de Alonso Menendez
a José Garcia que criou a marca Particulares. Foi
criado em 1935 para a venda no mercado exterior.
Também é vendido nos formatos Nº 1 (lonsdale),
Nº 2 (torpedo), Nº 3 (corona), Nº 4 (petit
corona), Nº 5 (trés petit corona), além dos
tubos (corona).
O
puro mais famoso é o Cohiba, nome pelo qual os índios
chamavam as folhas de tabaco. O charuto preferido
do comandante Fidel Castro nasceu para ser
presenteado por ele e por muito tempo foi
conhecido como o "Embaixador Extraordinário"
da ilha. De sua criação, em 1966, até 1982 não
era comercializado, somente presenteado por Fidel
Castro, daí parte da mística em torno do
produto. Além disso, é um dos dois únicos que
passa por três fermentações. É um dos mais
caros da ilha e é considerado pelos plantadores
como o mais seleto: suas folhas de tabaco são
cultivadas exclusivamente em Vulta Abajo, na Província
de Pinar
Del Rio. Por causa da produção
limitada é um puro muito disputado. A história
da sua criação é peculiar: um segurança do
comandante estava fumando um puro preparado por um
amigo "torcedor" com aroma diferente,
que chamou a atenção de Fidel Castro. Após
provar o produto, o comandante quis conhecer o
torcedor. Interessado em gerar empregos para as
mulheres, o comandante mandou o torcedor ensinar o
ofício a um grupo delas e inaugurou a fábrica do
Cohiba. Seus principais tipos são o Coronas
Especiales, Esplendidos, Lanceros, Robusto, Linea
Siglo I, II, III, IV, V e VI.
Outro
puro tradicional é o Montecristo. Criado em 1935
na fábrica de H. Upmann, também é feito das
seletas folhas de tabaco cultivadas em Vuelta
Abajo. Dizem que seu nome é inspirado no romance
O Conde de Montecristo, de Alexandre Dumas, pois
era a leitura preferida de um grupo de torcedores.
Seus tipos mais conhecidos são Nº 1 ao Nº 5.
Como
nasce um verdadeiro puro
Um
dos motivos que torna os charutos cubanos os
melhores do mundo é o microclima da ilha. As
características do solo, da temperatura e do ar são
extremamente particulares. Cada região de cultivo
produz um tipo diferente de tabaco. A província
de Pinar
del Rio é a maior produtora de fumo,
em especial na região de Vuelta Abajo, uma área
de cerca de mil hectares onde encontra-se o
subdistrito de San Luis e San Juan y Martínez. O
banco de sementes do governo controla o estoque
que é entregue pelas empresas produtoras e
redistribui as sementes para que cada produtor
tenha a exclusividade do tipo de fumo que cultiva.
Do plantio das sementes à colheita das folhas de
tabaco leva-se de 45 a 60 dias. A planta do tabaco
mede entre 1 e 2 metros de altura.
Processo
de produção
Um
charuto é composto por três partes: miolo,
capote e capa. Depois de colhidas, as folhas da
planta são amarradas em maços e penduradas em
suportes nas casas de tabaco para secar e
amadurecer. Essas casas têm rigoroso controle de
unidade e temperatura. Então, as folhas perdem
volume e ficam mais espessas e amarronzadas. Os
talos são separados das folhas para a fermentação.
Durante a fermentação as folhas ficam em caixas
agrupadas por maços e são movimentadas
constantemente para que o processo seja homogêneo.
Cada fermentação dura em torno de um mês. A
fermentação elimina as impurezas, a nicotina e
refina o sabor do fumo. Na primeira fermentação
a temperatura atinge 42º.
Entre
as fermentações, as folhas são separadas de
acordo com a cor (entre castanho claro e marrom
escuro), o formato, a espessura e a resistência.
As folhas de tabaco destinadas aos charutos Cohiba
e Montecristo passam por três fermentações, já
as demais por duas. Os tabaqueiros elaboram os
charutos manualmente. Preparam o miolo torcendo e
agrupando as folhas. Depois, colocam em formas
diferenciadas e prensam por uma hora. Cada
profissional faz mais de 100 unidades por dia. O
charuto recebe uma capa, também feita de folha de
tabaco. Então o puro é cortado com uma faca
curva chamada chaveta. Uma das pontas é selada
com uma goma vegetal incolor e inodora. Depois ele
é guilhotinado de acordo com seu tipo. É enviado
a um rigoroso controle de qualidade manual que
verifica tamanho e espessura. Para harmonizar os
aromas da capa e do miolo, os charutos descansam
em caixas de um tipo de madeira que não transmite
odores por cerca de quatro semanas. Então são
separados de acordo com suas matizes para que cada
caixa tenha as mesmas cores. Em cada charuto é
colocado um anel de identificação.
Cuba
O tabaco cubano é conhecido como um dos melhores
do mundo. A melhor região de plantio fica em
Vuelta Abajo, parte do município de Pinar del Rio
na parte oeste da ilha. Em geral o tabaco cubano
é forte e tem gosto acentuado. As variedades mais
conhecidas são a Criollo e a Corojo.
República Dominicana
A qualidade e variedade do tabaco produzido na República
Dominicana melhorou consideravelmente nos últimos
20 anos. As regiões de plantio ficam próximas da
cidade de Santiago onde estão os maiores
fabricantes do país. A maioria do tabaco
dominicano foi obtida com variedades cubanas,
apesar disto ele não é tão forte, é mais
complexo em sabor e pode ser utilizado para a criação
de diversos tipos de blends.
Brasil
Os tabacos brasileiros provêm da Bahia, mais
especificamente da região conhecida como Recôncavo
Baiano. Nesta região predominam as variedades
Mata Fina e Mata Norte. Bastante suave o tabaco é
extremamente aromático próprio para quem está
iniciando no prazer de degustar um charuto.
Equador
O Equador produz um tabaco de excelente qualidade,
tanto para o miolo como para a capa do charuto. As
variedades mais comuns são Connecticut e Sumatra.
Nos dois casos o tabaco é mais suave do que os
plantados em sua região original.
México
O vale de San Andrés é famoso mundialmente por
sua variedade de tabaco Sumatra. As folhas
mexicanas são utilizadas na sua maioria como
miolo e capote dos charutos produzidos em outros
países. Os produtores mexicanos utilizam 100% do
tabaco mexicano na produção de seus charutos.
Estados Unidos
A maior plantação está localizada em
Connecticut no vale que leva o mesmo nome e produz
uma das melhores folhas de capa do mundo. A
variedade Connecticut com sua elasticidade e cor
marrom-amarelada é utilizada na confecção de
alguns dos melhores charutos do mundo.
Camarões
Esta área no oeste da África e conhecida pela
alta qualidade de suas folhas de capa. Nos últimos
anos a produção sofreu com as condições climáticas
adversas. A variedade Cameron é originaria da
variedade Sumatra importada da Indonésia.
Indonésia
A variedade Sumatra provem das diversas ilhas que
compõem o arquipélago da Indonésia. O tabaco
normalmente conhecido como Java ou Sumatra produz
folhas de capa com uma cor marrom intenso e tem
sabores neutros. Suas folhas normalmente são
utilizadas para confecção de charutos pequenos.
Por: Cesar Adames
A
Identidade do Charuto

Por: Cesar Adames
Última etapa no processo de fabricação, a colocação da anilha é o
que podemos considerar como a identidade de um
charuto, uma vez que depois que de retirado da
caixa, dificilmente podemos dizer qual é a sua
marca sem a anilha. Sua origem tem duas versões
diferentes. A primeira dá conta que a Rainha
Victoria da Rússia pediu a colocação de uma fita
de seda envolvendo os charutos que degustava para
evitar que os mesmos manchassem suas luvas brancas,
a segunda tinha como objetivo evitar que a folha de
capa se soltasse. Independente das versões acima,
é certo que o responsável pelo uso comercial das
anilhas foi o holandês Gustav Bock, um dos
primeiros europeus, além dos espanhóis, a produzir
charutos em Cuba. Bock começou a colocar as anilhas
nos charutos fabricados em sua fábrica para
diferenciá-los da grande concorrência que existia
na época.
O uso das anilhas tornou-se muito comum por volta de
1850 e assim como as caixas de charutos, elas começaram
a ser encontradas em grande diversidade. Logo
apareceram modelos personalizados, a marca Romeo y
Julieta foi a primeira em Cuba a ter um charuto com
anilha personalizada. Esta idéia atraiu fumadores
ricos, como o pianista Artur Rubinstein que pagava
para ter seu nome estampado em charutos que mandava
fazer especialmente para fumar e distribuir entre
seus amigos. Outro fumador famoso que teve seu nome
impresso em uma anilha e virou até medida de
charuto foi o primeiro ministro britânico Winston
Churchill. Da mesma forma o chanceler alemão
Bismark e o rei inglês Eduardo VII também tiveram
seus rostos estampados em anilhas especiais.
Este costume de produzir anilhas personalizadas
permaneceu em Cuba até a revolução de 1959,
quando as fábricas foram estatizadas pelo novo
governo e passaram a comercializar os charutos
somente com as anilhas tradicionais. Desde então um
mercado de anilhas para colecionadores começou a
surgir sob o nome de Vitofilía que vem a ser o ato
de colecionar as anilhas dos charutos sendo que
algumas coleções podem chegar a valer até dez mil
dólares.
Independente do ato de colecionar ou não as anilhas,
uma questão sempre é debatida. Devemos ou não
tirar o anel para fumar um charuto? Esta é uma
decisão que cabe única e exclusivamente ao
fumador. Em alguns países é considerada falta de
educação exibir a marca do charuto, pois pode
parecer ostentação. Esta questão de etiqueta é
cada vez mais ignorada nos Estados Unidos e em
outros países. Não existe razão para tirar a
anilha, mas se você quiser fazê-lo não retire
logo no início, pois sua retirada poderá danificar
a folha de capa. Espere ter fumado um pouco, pois o
calor do charuto irá soltar a cola da anilha
facilitando sua retirada. |